O desafio da comunicação

Desde os primórdios da humanidade, o homem percebeu a sua necessidade de comunicar: com outrem e com os deuses. Com seus pares, por sinais, grunhidos ou pinturas rupestres; com os deuses, através dos ritos. Sempre em busca do relacionamento, unir, compreender, re-ligar-se ao mundo exterior.


Surgiram as falas e, posteriormente, as escritas. As falas pertencentes a todos (exceto aos portadores de alguma deficiência); as escritas, aos escolhidos: os sacerdotes (escribas), aqueles que possuíam o ‘dom’ de conversar com os deuses, sendo seus interlocutores na Terra. A palavra é importante porque traz o conhecimento – novidades classificadas e comparadas, “tudo precisa ser relacionado a fim de que nada se perca.” (RIBEIRO, 1996, p. 60)


Na astrologia, o signo de Gêmeos é a linguagem, a comunicação entre as coisas, ideias e pessoas. É o movimento, a mutabilidade, o conhecimento genérico e superficial porque ‘não se pode desprezar algo’. Afinal ‘existem tantas coisas para serem vistas e aprendidas!’ Houve uma adaptação ao mundo exterior: os meios de comunicação evoluíram de grunhidos, gestos e desenhos à escrita (manuscrita e digitada), rádios, telefones, televisão, internet... Os olhos e a razão estão voltados para as descobertas impessoais, “há uma certa falta de ligação emocional com a ideia; as ideias são buscadas e admiradas por seu próprio valor intrínseco – por puro estímulo mental.” (BURT, 1994, p. 89)


Falar, escrever, gesticular, expressar-se através das artes, mas existem os não-ditos, os interditos, as reticências... O êxito da comunicação necessita de ajustes de comportamentos sociais: intelectuais (objetividade e clareza), psíquicos (calma, naturalidade) e físicos (reações corporais). Assim, são duas as formas de expressão: verbais (orais e escritas) e não-verbais.


A comunicação oral é efêmera, limitada a certo número de pessoas e pode criar mal-entendidos – quando manifestada conforme o pensamento (concluído ou não expresso) que nem sempre é o mesmo dos ouvintes; já percebeu que, às vezes, se diz algo a uma pessoa que entende outra coisa? (Hein??)


Por outro lado, a comunicação escrita materializa a mensagem a ser transmitida, mas também não garante uma comunicação eficiente – será que você que está lendo este texto compreende o que estou querendo escrever?


Segundo Pierre Weil (1990, p. 93-94), o processo comunicativo é composto por:

· Mensagem – “aquilo que queremos transmitir a outrem: ordens, pedidos, informações, esclarecimentos”

· Emissor – “quem emite a mensagem”

· Canal – “veículo que permite a transmissão da mensagem” = (outdoor, e-mail, zap, ar...)

· Receptor – “quem recebe a mensagem”

· Ruído – “tudo o que perturba uma comunicação”


Mas, o autor aponta a possível ocorrência de distorções (p. 111 – grifos nossos):

“1- Na elaboração da mensagem O que o emissor quis dizer

2- Na emissão da mensagem O que o emissor realmente disse

3- Na percepção da mensagem pelo emissor O que o emissor pensa que disse

4- Na transmissão da mensagem Como a mensagem passou pelo canal

5- Na recepção da mensagem Como a mensagem chegou ao receptor

6- Na percepção da mensagem pelo receptor Como o receptor percebeu a mensagem.”

Portanto, para uma comunicação bem sucedida, a mensagem deve transpor as ‘barreiras’ estruturais (clareza, objetividade...) e as provocadas pelo emissor (esquecimento, lapso, redundância, emoção...), no canal (ruídos, conversas paralelas...) e pelo receptor (dificuldade auditiva, opiniões...); além disso, o emissor e o receptor devem estar por ‘inteiros’ no processo da comunicação.


A verdadeira comunicação flui de coração para coração, em qualquer do tipo de relacionamento. É a possibilidade de fazer-se entender melhor, de modo inteiro e puro. Desenvolver a empatia, ou seja, “a capacidade que os indivíduos têm de se projetar na personalidade do outro e de sentir o que o outro está sentindo naquela determinada circunstância. Só se poderá chegar à interação – que vem a ser a meta da comunicação humana ­– se houver empatia.” (FEITOSA, 1991, p. 14)


O emissor e o receptor, sensíveis ao comportamento um do outro, promovem a empatia e, consequentemente, uma comunicação eficiente. Pois, a mensagem proferida é entendida tal como foi elaborada. Certo?


E as formas não-verbais da comunicação? São aquelas que “atingem mais diretamente a alma, o coração, o sentimento das pessoas, pois são imbuídas de autenticidade e espontaneidade” (WEIL, 1990, p. 96). Traduzem mensagens intencionais e do inconsciente. Às vezes, fala-se algo, mas a mensagem não-verbal diz o contrário – por exemplo, quando fitamos a porta da rua, mas insistimos para que uma visita continue: É cedo ainda!


Dentre as formas não-verbais de comunicação, destacam-se: o olhar, a mímica, a voz e o silêncio. O olhar é altamente expressivo (meigo, penetrante, triste, desconfiado, vivaz, hostil, radiante, protetor, inquieto, calmo, ameaçador etc.); a mímica, uma maneira de expressar pensamentos por meio de gestos, expressões corporais e fisionômicos, transformou-se em arte que encanta adultos e crianças; a voz que imprime personalidade e indica os sentimentos, sendo importante meio de comunicação através da impostação, timbre, altura, entonação (carinhosa, ríspida, forte, suave, sonolenta, alegre, entusiasta, deprimida etc.) – ao telefone, percebe-se como está o estado de ânimo da outra pessoa, certo?


Quanto ao silêncio, nada mais revelador! Pode-se comunicar TUDO apenas com um silêncio – recorda-se do ‘minuto de silêncio’ como homenagem?

Referências:

BURT, Kathleen. Arquétipos do zodíaco. Traduzido por Euclides L. Calloni & Cleuza M. Wosgran. 2 ed. São Paulo: Pensamento, 1994.

FEITOSA, Vera Cristina. Redação de textos científicos. Campinas: Papirus, 1991.

RIBEIRO, Ana Maria Costa. Conhecimento de astrologia; manual completo. Rio de Janeiro: Novo Milênio, 1996.

WEIL, Pierre. Amar e ser amado; a comunicação do amor. 5 ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1990.

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